Eu e o tal Deus

Por vezes nós somos uma antítese de nós próprios, imaginando que não temos fé naquilo que nós próprios seguimos. Apesar do meu ateísmo, há coisas que são por demais evidentes em mim mesmo. A começar pelo título deste post, onde, apesar de não ter qualquer crença nesse tal ser dominante, não deixo de o mencionar com o respeito que o D maíusculo transmite.

Este post vem a propósito, curiosamente, da minha relação com Deus, inexistente, ou, melhor dizendo, uma relação de descrença e maldizer. Eu digo que ele é um traste que vive da ignorância dos outros, ele de mim deve ter muitas coisas más para dizer, levando em linha de conta que não sigo os seus registos biblícos, nem os seus desígnios.

Mas, nem por isso deixo de o respeitar. E, curioso é, em pequenos detalhes do dia a dia...

Não deixa de ser interessante que, de cada vez que deixo um sapato com a sola virada para cima, lembro-me dos raspanetes da minha mãe, em criança, dizendo que deixar os sapatos nessa posição era uma afronta a Deus e que iria ser castigado com a sua ira. Não sei se era uma técnica da D. Mãe para eu ter sempre o calçado arrumado, mas a verdade é que este dogma ainda hoje me persegue, obrigando-me todas as noites a ter aquele momento em que me obrigo a mim próprio a arrumar o calçado.

Afinal, como sempre disse, a religião será sempre mais uma forma de instruir, educar e fazer atingir valores morais, do que uma realidade palpável.

Haja sapatos!

2 comentários:

noname disse...

Eu estou para o mesmo - e o meu não sei quê, são facas cruzadas :-)

Andreia Morais disse...

Todos nós acreditamos em algo, independentemente do que seja, mesmo quando estamos convictos de que não é o caso. Nem sempre nos apercebemos de imediato, mas vamos reparando isso, precisamente, quando começamos a estar atentos a alguns detalhes no nosso comportamento.

r: Tem mesmo :)